Traço Mágico
quarta-feira, 29 de maio de 2013
ACONTECEU NO OUTONO!
Estamos no outono, folhas amareladas cobrem o chão, o inverno se aproxima, está fazendo muito frio, estou aqui, deitado no banco do jardim, o frio toma conta do meu corpo, não posso me movimentar, preciso de ajuda... O silêncio é dominante, não tem mais ninguém aqui, somente eu, as árvores e o frio. Minhas lagrimas rolam pela minha face e caem sobre as folhas secas que cobrem o chão de terra, estou escutando passos sobre as folhas não está dando para ver de onde vem, os passos ficam cada vez mais fortes, sinto uma mão tocando meu rosto mas não vejo ninguém. Nesse momento todo o frio e toda solidão me deixaram, já está anoitecendo, me sinto leve, sinto meu corpo flutuar, do alto vejo as árvores, as folhas e o meu corpo.
Por: Rodrigo M Sobroza
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Imperfeito
Momentos decisivos despontam no horizonte da minha vida. Não sei qual caminho seguir, não sei muito bem o que fazer. A realidade me assusta, não por ser tão real, mas por um dia ter sido tão abrasiva e devastadora... Vejo situações se repetindo, momentos que eu tentei tanto esquecer e que não consegui, jamais pensei em vivê-los novamente, e então, os vejo ali, na minha frente, parados e vivos. A realidade se apresenta como um filme antigo em minha mente, uma película em tom sépia que não para de se repetir. Barulhos, risos, promessas, descaminhos... Um filme de amor, sem fim.
Por: Rodrigo M Sobroza
O vazio
Como dói essa cama vazia, deito pra dormir e me lembro de você. Meu rosto repousado no travesseiro me lembra seu colo, meus braços entrelaçados ao vazio me trazem à sua cintura e um enorme aperto no peito. Fecho os olhos e deixo as lágrimas secarem no travesseiro que me ampara. Tudo é vazio, mas você está em cada canto da casa, como dói essa cama vazia, como dói esse peito cheio de lembranças.
Por: Rodrigo M Sobroza.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
A lua
A lua sempre teve grande importância na minha vida, desde pequeno passava horas ali contemplando aquele circulo prata exposto no céu. O dia sempre voltava, o sol pedia licença e tomava conta do céu. Em dias chuvosos, encostava minha cabeça na janela do quarto e observava o céu, sem lua. A água escorria lentamente pela janela, como se tocasse com cuidado o vidro, pareciam lágrimas, lágrimas de lua, de céu, lágrimas que escorrem pela face em noites sem luar. Me encolhia lentamente sobre a cama, como menino que pedia colo, puxava a coberta sobre meu corpo e era vencido pelo cansaço.
Em uma bela tarde de outono, nessas tardes em que não esperamos absolutamente nada, encontrei um olhar tão forte quanto aquele das noites enluaradas. Um par de luas no lugar dos olhos – pensei.
Um olhar doce, meigo, carinhoso... E como há muito tempo não sentia, nem em noites de luar. Senti meu corpo ser tomado novamente, por aquela súbita sensação de menino que pedia colo. Parado, no meio da rua, sem mais ninguém em volta, se desdobrava pela esquina em passos serenos sobre folhas que cobriam o chão de terra, em seus passos um barulho que ecoava e quebrava o silêncio, olhos fortes, passos precisos, vento no cabelo, em cada passo que ela dava, seu cabelo balançava para o lado oposto, como se dos seus cabelos viessem aquele vento que subia pelas minhas pernas, tocava meu peito e percorria o meu rosto. Desarvorado eu olhava para os lados tentando evitar o seus olhos, mas o seu cheiro tomava conta de mim e me forçava a olhar de novo em sua direção, o cheiro natural daquela pele me levava a onde jamais tinha ido, e de onde jamais eu poderei voltar um dia.
Essa lua que um dia se desdobrou perante minha retina, se afastou serenamente pela rua, no chão, tinha uma trilha aberta pelos seus passos, no ar o seu perfume, em mim sua presença. Em mim, um menino, encostado em um banco, com os olhos cheio de gotas, não de chuva, mas de lágrimas.
Texto: A lua.
Por: Rodrigo M Sobroza
Em uma bela tarde de outono, nessas tardes em que não esperamos absolutamente nada, encontrei um olhar tão forte quanto aquele das noites enluaradas. Um par de luas no lugar dos olhos – pensei.
Um olhar doce, meigo, carinhoso... E como há muito tempo não sentia, nem em noites de luar. Senti meu corpo ser tomado novamente, por aquela súbita sensação de menino que pedia colo. Parado, no meio da rua, sem mais ninguém em volta, se desdobrava pela esquina em passos serenos sobre folhas que cobriam o chão de terra, em seus passos um barulho que ecoava e quebrava o silêncio, olhos fortes, passos precisos, vento no cabelo, em cada passo que ela dava, seu cabelo balançava para o lado oposto, como se dos seus cabelos viessem aquele vento que subia pelas minhas pernas, tocava meu peito e percorria o meu rosto. Desarvorado eu olhava para os lados tentando evitar o seus olhos, mas o seu cheiro tomava conta de mim e me forçava a olhar de novo em sua direção, o cheiro natural daquela pele me levava a onde jamais tinha ido, e de onde jamais eu poderei voltar um dia.
Essa lua que um dia se desdobrou perante minha retina, se afastou serenamente pela rua, no chão, tinha uma trilha aberta pelos seus passos, no ar o seu perfume, em mim sua presença. Em mim, um menino, encostado em um banco, com os olhos cheio de gotas, não de chuva, mas de lágrimas.
Texto: A lua.
Por: Rodrigo M Sobroza
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Cantos...
Acordo cedo, na verdade não durmo, levanto da cama quente e sinto o frio do piso, o frio do quarto, o frio do peito. Caminho pelos quatro cantos do quarto em busca de lembranças, cheiros, qualquer coisa que me acalme, enquanto os dedos deslizam suavemente pelos móveis, sou tomado por lembranças que saltam à minha frente, leve sorriso, você presente.
Parado aqui, debruçado nessa janela, lembro das nossas madrugadas ao telefone, podia sentir os seus lábios e o seu cheiro através da linha; ouvia os seus medos, os seus desejos, sentia o seu coração saltar dentro do meu peito. Minha voz rouca ecoava palavras como:
‘Venha do jeito que você é, me aceite do jeito que eu sou, porque tudo que você quiser que eu seja, eu serei’.
Na sua presença, os meus olhos viam luzes no infinito da madrugada escura, fria e gelada, e você me aquecia com sua voz, com seu corpo quente... Ainda sinto seu cabelo no meu peito, sua mão deslizando por cada centímetro da minha pele, e sua boca passando pelo meu corpo, suave toque da língua na minha pele, arrepio...
Volto pra realidade, saio do meu delírio, saio do sonho, volto e tento encontrar qualquer coisa entre os cantos do quarto, cantos que ecoam músicas, gemidos, sonhos, amor... Ajoelho sobre o chão, coloco a mão sobre a cama e me encolho como uma criança assustada. Então sinto seu corpo sobre a cama vazia, e eu te velo, e eu te desejo, e eu te aliso, e eu te amo... E no meu delírio, falo baixinho, até dormir novamente: Cantos e cantos sem melodia, cantos vazios...
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