quinta-feira, 5 de maio de 2011
Cantos...
Acordo cedo, na verdade não durmo, levanto da cama quente e sinto o frio do piso, o frio do quarto, o frio do peito. Caminho pelos quatro cantos do quarto em busca de lembranças, cheiros, qualquer coisa que me acalme, enquanto os dedos deslizam suavemente pelos móveis, sou tomado por lembranças que saltam à minha frente, leve sorriso, você presente.
Parado aqui, debruçado nessa janela, lembro das nossas madrugadas ao telefone, podia sentir os seus lábios e o seu cheiro através da linha; ouvia os seus medos, os seus desejos, sentia o seu coração saltar dentro do meu peito. Minha voz rouca ecoava palavras como:
‘Venha do jeito que você é, me aceite do jeito que eu sou, porque tudo que você quiser que eu seja, eu serei’.
Na sua presença, os meus olhos viam luzes no infinito da madrugada escura, fria e gelada, e você me aquecia com sua voz, com seu corpo quente... Ainda sinto seu cabelo no meu peito, sua mão deslizando por cada centímetro da minha pele, e sua boca passando pelo meu corpo, suave toque da língua na minha pele, arrepio...
Volto pra realidade, saio do meu delírio, saio do sonho, volto e tento encontrar qualquer coisa entre os cantos do quarto, cantos que ecoam músicas, gemidos, sonhos, amor... Ajoelho sobre o chão, coloco a mão sobre a cama e me encolho como uma criança assustada. Então sinto seu corpo sobre a cama vazia, e eu te velo, e eu te desejo, e eu te aliso, e eu te amo... E no meu delírio, falo baixinho, até dormir novamente: Cantos e cantos sem melodia, cantos vazios...
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