A lua sempre teve grande importância na minha vida, desde pequeno passava horas ali contemplando aquele circulo prata exposto no céu. O dia sempre voltava, o sol pedia licença e tomava conta do céu. Em dias chuvosos, encostava minha cabeça na janela do quarto e observava o céu, sem lua. A água escorria lentamente pela janela, como se tocasse com cuidado o vidro, pareciam lágrimas, lágrimas de lua, de céu, lágrimas que escorrem pela face em noites sem luar. Me encolhia lentamente sobre a cama, como menino que pedia colo, puxava a coberta sobre meu corpo e era vencido pelo cansaço.
Em uma bela tarde de outono, nessas tardes em que não esperamos absolutamente nada, encontrei um olhar tão forte quanto aquele das noites enluaradas. Um par de luas no lugar dos olhos – pensei.
Um olhar doce, meigo, carinhoso... E como há muito tempo não sentia, nem em noites de luar. Senti meu corpo ser tomado novamente, por aquela súbita sensação de menino que pedia colo. Parado, no meio da rua, sem mais ninguém em volta, se desdobrava pela esquina em passos serenos sobre folhas que cobriam o chão de terra, em seus passos um barulho que ecoava e quebrava o silêncio, olhos fortes, passos precisos, vento no cabelo, em cada passo que ela dava, seu cabelo balançava para o lado oposto, como se dos seus cabelos viessem aquele vento que subia pelas minhas pernas, tocava meu peito e percorria o meu rosto. Desarvorado eu olhava para os lados tentando evitar o seus olhos, mas o seu cheiro tomava conta de mim e me forçava a olhar de novo em sua direção, o cheiro natural daquela pele me levava a onde jamais tinha ido, e de onde jamais eu poderei voltar um dia.
Essa lua que um dia se desdobrou perante minha retina, se afastou serenamente pela rua, no chão, tinha uma trilha aberta pelos seus passos, no ar o seu perfume, em mim sua presença. Em mim, um menino, encostado em um banco, com os olhos cheio de gotas, não de chuva, mas de lágrimas.
Texto: A lua.
Por: Rodrigo M Sobroza
sexta-feira, 24 de junho de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Cantos...
Acordo cedo, na verdade não durmo, levanto da cama quente e sinto o frio do piso, o frio do quarto, o frio do peito. Caminho pelos quatro cantos do quarto em busca de lembranças, cheiros, qualquer coisa que me acalme, enquanto os dedos deslizam suavemente pelos móveis, sou tomado por lembranças que saltam à minha frente, leve sorriso, você presente.
Parado aqui, debruçado nessa janela, lembro das nossas madrugadas ao telefone, podia sentir os seus lábios e o seu cheiro através da linha; ouvia os seus medos, os seus desejos, sentia o seu coração saltar dentro do meu peito. Minha voz rouca ecoava palavras como:
‘Venha do jeito que você é, me aceite do jeito que eu sou, porque tudo que você quiser que eu seja, eu serei’.
Na sua presença, os meus olhos viam luzes no infinito da madrugada escura, fria e gelada, e você me aquecia com sua voz, com seu corpo quente... Ainda sinto seu cabelo no meu peito, sua mão deslizando por cada centímetro da minha pele, e sua boca passando pelo meu corpo, suave toque da língua na minha pele, arrepio...
Volto pra realidade, saio do meu delírio, saio do sonho, volto e tento encontrar qualquer coisa entre os cantos do quarto, cantos que ecoam músicas, gemidos, sonhos, amor... Ajoelho sobre o chão, coloco a mão sobre a cama e me encolho como uma criança assustada. Então sinto seu corpo sobre a cama vazia, e eu te velo, e eu te desejo, e eu te aliso, e eu te amo... E no meu delírio, falo baixinho, até dormir novamente: Cantos e cantos sem melodia, cantos vazios...
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Noites de sábado
As noites de sábado me deixam profundamente melancólico, mais do que o habitual. Eu lembro bem do tempo em que eu caminhava rumo ao desconhecido achando que sabia muito bem o caminho e, que toda aquela luz que me iluminava, tornava os meus passos seguros e precisos. Nunca imaginei que, o que eu julgava iluminar o meu chão, era exatamente o que escurecia os meus passos...
É, e lá se vai mais uma noite de sábado.
Texto: Noites de sábado
De: Rodrigo M Sobroza
É, e lá se vai mais uma noite de sábado.
Texto: Noites de sábado
De: Rodrigo M Sobroza
Um domingo qualquer...
Domingo,
As luzes da cidade acesa, os brilhos dos faróis, as luzes dos apartamentos, eu ligo o rádio do carro tentando me refugiar e por obra do destino está tocando Chico...
“não se afobe não que nada é pra já, o amor não tem pressa ele pode esperar em silêncio, no fundo de armário, na posta restante, milênios, milênios no ar...”
Lembro do tempo em que eu podia sentir o meu coração palpitar de alegria com um simples “alô”, com as palavras doces que roubavam um sorriso do meu rosto. Definitivamente o Chico traduzia tudo o que eu sentia em versos...
“E quem sabe então o rio será, alguma cidade submersa, os escafandristas viram explorar, sua casa, seu quarto, suas coisas, sua alma, desvãos...”
Abro o porta-luvas à procura de um lenço e encontro as cartas que ali foram esquecidas... Fecho os olhos e lembro do tempo que tudo era motivo pra sentir alegria...
“Sábios em vão tentaram decifrar o eco de antigas palavras, fragmentos de cartas, poemas, mentiras, retratos, vestígios de estranha civilização...”
Tenho certeza que todo aquele sentimento que sempre se fez presente dentro de mim, não seria deixado de lado, mas eu fazia questão de esquecê-los, jogo pela janela do carro todas aquelas lembranças, ligo o carro e vou embora, pensando se poderei ser feliz novamente, olho pelo retrovisor e vejo um casal desfolhando as nossas cartas...
“amores serão sempre amáveis, futuros amantes, quiçá, se amaram sem saber, o amor que um dia deixei pra você...”
Texto: Um domingo qualquer...
De: Rodrigo M Sobroza
As luzes da cidade acesa, os brilhos dos faróis, as luzes dos apartamentos, eu ligo o rádio do carro tentando me refugiar e por obra do destino está tocando Chico...
“não se afobe não que nada é pra já, o amor não tem pressa ele pode esperar em silêncio, no fundo de armário, na posta restante, milênios, milênios no ar...”
Lembro do tempo em que eu podia sentir o meu coração palpitar de alegria com um simples “alô”, com as palavras doces que roubavam um sorriso do meu rosto. Definitivamente o Chico traduzia tudo o que eu sentia em versos...
“E quem sabe então o rio será, alguma cidade submersa, os escafandristas viram explorar, sua casa, seu quarto, suas coisas, sua alma, desvãos...”
Abro o porta-luvas à procura de um lenço e encontro as cartas que ali foram esquecidas... Fecho os olhos e lembro do tempo que tudo era motivo pra sentir alegria...
“Sábios em vão tentaram decifrar o eco de antigas palavras, fragmentos de cartas, poemas, mentiras, retratos, vestígios de estranha civilização...”
Tenho certeza que todo aquele sentimento que sempre se fez presente dentro de mim, não seria deixado de lado, mas eu fazia questão de esquecê-los, jogo pela janela do carro todas aquelas lembranças, ligo o carro e vou embora, pensando se poderei ser feliz novamente, olho pelo retrovisor e vejo um casal desfolhando as nossas cartas...
“amores serão sempre amáveis, futuros amantes, quiçá, se amaram sem saber, o amor que um dia deixei pra você...”
Texto: Um domingo qualquer...
De: Rodrigo M Sobroza
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
TRAÇO MÁGICO
Coisas que acontecem na nossa infância, nos acompanham por toda nossa vida.
Lembro de um brinquedo chamado “traço mágico”, ele era um quadrado vermelho, tinha duas rodinhas que ao girá-las apareciam traços na tela e ao sacudi-lo tudo se apagava. Eu nunca tive um “traço mágico”, sempre tive vontade de ter, mas nem sempre querer é poder, então eu me contentava em ver os meus amigos brincando... Como o tempo passa e tudo evolui, apareceram os computadores e o “traço mágico” ficou perdido no tempo.
Após a compra do meu primeiro computador, eu também esqueci o “traço mágico”, agora me divirto com mouse, teclado, tablet, PhotoShop, msn etc...
Conheci pessoas interessantes nesse mundo virtual, mas uma delas foi a mais especial de todas; ficamos amigos por um desses acasos da vida moderna, ela sempre entrava no msn e me chamava, conversávamos por horas. Não tinha dia certo pra ela aparecer, mas ela aparecia quase todos os dias (pra minha felicidade).
Lembro de um brinquedo chamado “traço mágico”, ele era um quadrado vermelho, tinha duas rodinhas que ao girá-las apareciam traços na tela e ao sacudi-lo tudo se apagava. Eu nunca tive um “traço mágico”, sempre tive vontade de ter, mas nem sempre querer é poder, então eu me contentava em ver os meus amigos brincando... Como o tempo passa e tudo evolui, apareceram os computadores e o “traço mágico” ficou perdido no tempo.
Após a compra do meu primeiro computador, eu também esqueci o “traço mágico”, agora me divirto com mouse, teclado, tablet, PhotoShop, msn etc...
Conheci pessoas interessantes nesse mundo virtual, mas uma delas foi a mais especial de todas; ficamos amigos por um desses acasos da vida moderna, ela sempre entrava no msn e me chamava, conversávamos por horas. Não tinha dia certo pra ela aparecer, mas ela aparecia quase todos os dias (pra minha felicidade).
As minhas noites já não eram mais as mesmas, eu perdia o sono e passava algumas noites em claro pensando como seria bom tê-la comigo. Imaginava aquele sorriso, aquele rosto de menina, aqueles olhos que brilhavam na WebCam... Ela era perfeita... Lembro que certa vez comentei com ela que eu vinha tendo insônia, ela me ensinou, pacientemente, como relaxar e ter um bom sono, quando eu lembro daquele jeitinho dela escrevendo eu ainda me sinto anestesiado.
Trocávamos letras de músicas, e em cada letra que ela me mostrava eu procurava qualquer indício de que ela nutria o mesmo sentimento por mim, confesso que nunca percebi nada ou talvez eu tivesse medo... Sei lá.
Fazer o que? Criança pobre não tem “traço mágico”.
Texto: Traço Mágico
De: Rodrigo M Sobroza
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