Domingo,
As luzes da cidade acesa, os brilhos dos faróis, as luzes dos apartamentos, eu ligo o rádio do carro tentando me refugiar e por obra do destino está tocando Chico...
“não se afobe não que nada é pra já, o amor não tem pressa ele pode esperar em silêncio, no fundo de armário, na posta restante, milênios, milênios no ar...”
Lembro do tempo em que eu podia sentir o meu coração palpitar de alegria com um simples “alô”, com as palavras doces que roubavam um sorriso do meu rosto. Definitivamente o Chico traduzia tudo o que eu sentia em versos...
“E quem sabe então o rio será, alguma cidade submersa, os escafandristas viram explorar, sua casa, seu quarto, suas coisas, sua alma, desvãos...”
Abro o porta-luvas à procura de um lenço e encontro as cartas que ali foram esquecidas... Fecho os olhos e lembro do tempo que tudo era motivo pra sentir alegria...
“Sábios em vão tentaram decifrar o eco de antigas palavras, fragmentos de cartas, poemas, mentiras, retratos, vestígios de estranha civilização...”
Tenho certeza que todo aquele sentimento que sempre se fez presente dentro de mim, não seria deixado de lado, mas eu fazia questão de esquecê-los, jogo pela janela do carro todas aquelas lembranças, ligo o carro e vou embora, pensando se poderei ser feliz novamente, olho pelo retrovisor e vejo um casal desfolhando as nossas cartas...
“amores serão sempre amáveis, futuros amantes, quiçá, se amaram sem saber, o amor que um dia deixei pra você...”
Texto: Um domingo qualquer...
De: Rodrigo M Sobroza
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